Por Portugal passaram alguns dos melhores jogadores que atuaram (e alguns ainda atuam) na Europa.

Fomos ao baú da I Liga para fazer o top-10 de estrangeiros que passaram por cá neste século e rapidamente se viram transferidos para um outro patamar – e por ser para um nível superior ficaram de fora desta lista Peter Schmeichel (Aston Villa) e Mário Jardel (Galatasaray).

 

10. ALDO DUSCHER

Aldo Pedro Duscher a controlar tudo nos tempos do Santander | foto Cordon Press/Diario AS IMAGO

 

Saiu em julho de 2001 para o na altura poderoso Deportivo, depois de ter tido uma participação determinante na conquista do campeonato nacional pelo Sporting.

O Médio Centro argentino agora retirado tinha o perfil dos jogadores da albiceleste. Agressividade e disponibilidade incrível para os momentos defensivos que lhe permita roubar e interceptar inúmeras bolas e criatividade e gesto técnico de excelência no momento de tratar da “menina”.

Um médio defensivo que foi sempre o centro ofensivo do jogo das suas equipas, pela qualidade com que definia todo e qualquer lance em posse. Custou ao Depor 13 Milhões de Euros em 2000 e tal cotação ajuda a explicar o impacto que tinha e o jogador que foi.

 

9. GARAY

Esquece Kanté, não passas pelo Ezequiel | foto Miguel Angel IMAGO

 

Saiu do Benfica para o Zenit em 2014 e ainda hoje é recordado como um dos melhores centrais da história dos encarnados. Grandes capacidades atléticas, mas sobretudo uma inteligência nos movimentos e na tomada de decisão com e sem bola, foram a marca que o argentino deixou no futebol português.

Contribuiu decisivamente para que o Benfica voltasse a estar presente em finais Europeias. Elegância e sobriedade em cada acção defensiva ou ofensiva, Garay era o primeiro avançado da equipa, pela qualidade com que iniciava cada ataque, e a última barreira. Com Luisão formou uma dupla de valor inalcançável.

 

8. ALEX SANDRO

Os amigos de Alex parecem aflitos | foto FEP/Panoramic IMAGO

 

Saiu em 2016 do FC Porto para a Juventus. Ao Porto tinha chegado proveniente do Santos. O lateral esquerdo que ainda hoje encanta a Europa, assume níveis de excelência em todos os factores de rendimento. Das capacidades condicionais em que se destaca não somente pela velocidade e aceleração, alia velocidade de execução e enorme habilidade motora.

Tecnicamente incrível, Alex tem igual impacto em qualquer momento do jogo. Ofensivo ou defensivo, de organização ou transição. Uma capacidade criadora inolvidável pela qualidade do seu gesto e da definição com bola, à qual junta a não menos importante capacidade de recuperação defensiva e técnica defensiva de base de nível elevado que foi desenvolvendo nos campeonatos Europeus.

Não será exagero garantir que Alex Sandro é o melhor lateral esquerdo que passou por Portugal no presente século.

 

7. RAMIRES

Ninguém apanha o comboio do Ramires | foto Salvio Calabrese IMAGO

 

O “Queniano” passou apenas um ano pelo Benfica de onde se transferiu para o poderoso Chelsea onde actuou por seis temporadas! Capacidade física e motora de nível estratosférico, foi no primeiro ano de Jorge Jesus o pêndulo defensivo que permitia que o carrossel argentino – paraguaio (Aimar, Saviola, Di Maria, Cardozo) actuasse em conjunto sem que defensivamente a equipa se ressentisse.

Aceleração notória bem como capacidade de recuperarão e disponibilidade para as tarefas defensivas, que complementou sempre com saída veloz com bola no pé. Um dos últimos tradicionais Box-to-Box pela incrível velocidade com que percorria o espaço do campo de área a área. Apenas uma temporada em Portugal mas um impacto tão elevado que jamais será esquecido pelo tribunal da Luz.

 

6. JAN OBLAK

É toda dele | foto Leonardo Prieto IMAGO

 

Com ele o Benfica chegou a finais Europeias. O actual guarda redes do Atletico de Madrid está seguramente no top 3 dos melhores do futebol mundial na sua posição e por ai se percebe o nível do Eslovaco.

Uma barreira quase intransponível entre os postes, fruto de uma agilidade invulgar.
Bastou uma temporada como titular da baliza encarnada, depois de empréstimos a Beira Mar, União de Leiria e Rio Ave, para que a Europa se rendesse a Jan Oblak.

 

5. JAMES RODRÍGUEZ

Vem bater James, tu bates bem | foto IMAGO

 

Chegou proveniente do Banfield da Argentina ainda bastante jovem e por seis meses quase não integrou sequer as convocatórias do FC Porto. Terminou transferido para o Monaco, e de lá para cá Real Madrid, Bayern são “apenas” os clubes por onde passou.

Qualidade técnica inacreditável, criatividade a rodos, o colombiano é o protótipo do futebolista moderno, que mostra qualidade para se desenvencilhar e resolver problemas ofensivas por mais curto que seja o espaço que tem para executar.

Perfil de número dez de nível mundial, coloca a bola onde coloca os olhos, mas não sem que antes tudo tenha uma ideia perfeita por trás.

É o tipo de jogador que resolve jogos e campeonatos pela forma como descobre os colegas em zona de finalização, e pela forma como finaliza a um nível estratosférico sempre que se aproxima das grandes áreas adversárias. Pelo caminho, foi um dos homens do Mundial de 2014.

 

4. NEMANJA MATIC

É só estilo nesse pé esquerdo Nemanja | foto Darren Staples/Sportimage IMAGO

 

Chegou como um excedente do Chelsea, a Portugal. Foi suplente de Javi Garcia no primeiro ano no Benfica e quando encontrou a sua oportunidade demonstrou qualidades incríveis que o fizeram voltar ao clube londrino onde permaneceu quatro temporadas antes de sair para o Manchester United.

Na Luz com Jorge Jesus foi um número seis de elevado nível criativo e técnico. A passada larga e a capacidade de desarme e intercepção deram ao Benfica a segurança defensiva que o meio campo de Jesus ansiava, mas Matic foi mais longe e tornou-se um elemento de enorme criação mesmo partindo de posição mais recuada no meio.

Os seus passes a romper linhas ou explorando a profundidade nos corredores laterais, e até a forma como chegava às imediações das áreas adversárias, somando golos de belo recorte, deixaram uma marca que não mais a Luz viu num seu médio.

Na realidade nacional, Matic foi uma espécie de príncipe perfeito – Argumentos técnicos – físicos – tácticos e um rendimento tremendo.

 

3. FALCAO

Esta bola está aqui está dentro da baliza | foto Stanislav Krasilnikov IMAGO

 

El Tigre chegou proveniente do River Plate, fez duas temporadas no FC Porto somando mais de 70 golos e vencendo troféus nacionais e internacionais e partiu para o Atletico onde voltou a somar 70 golos em apenas duas temporadas.

O avançado colombiano fez jus ao seu cognome. Felino nas grandes áreas adversárias, foi um dos melhores de sempre em Portugal. A qualidade e a tremenda agilidade dos seus movimentos e expressão corporal permitiram-lhe sempre chegar primeiro que os defensores a cada lance, e mesmo com menos de 180m provou ser uma atleta de excepção no jogo aéreo.

Disponibilidade para todos os momentos, competência em Transição Ofensiva, mas ainda mais uma eficácia extraordinária a finalizar os ataques posicionais do FC Porto, Falcao estará sempre presente no coração da massa azul e de todos quanto os que tiveram o prazer de privar com quem marcou a história em Portugal.

 

2. DI MARÍA

Todo esticadinho | foto Jaquin Corchero IMAGO

 

Três anos de Benfica sempre em crescendo. Chegou a Portugal depois da glória olímpica onde marcou um golo de rara beleza, e cedo se percebeu que era um talento de dimensão mundial, assim evoluísse na tomada de decisão, tornando-se mais eficiente.

Por Portugal deixou a marca de um drible desconcertante e de recortes individuais de nível mundial, criando sucessivamente para que Cardozo somasse os golos necessários a devolver o título nacional ao Benfica.

Curiosamente, foi com o passar dos anos que incrementou os seus níveis de eficiência e eficácia. Cinco anos de Real Madrid, um de Manchester e outros cinco em Paris, onde nunca somou menos de uma dezena de golos. O talento franzino e extraordinário que se apresentou em Portugal ajudou o Benfica a ganhar, voou e transformou-se num dos melhores jogadores do futebol mundial. E a idade continua a melhorá-lo.

 

1. LUCHO GONZÁLEZ

Lucho até com os olhos controla a bola | foto Guilherme Artigas/Fotoarena IMAGO

 

Como Falcao chegou ao FC Porto proveniente do River Plate, e embora tenha tido três anos de grande produtividade em Marselha, ficou longe de provar na Europa o que demonstrou em Portugal.

El Comandante marcou mais de 40 golos na primeira passagem por Portugal, e embora a frieza e classe no momento de finalizar fosse uma marca muito própria, o que mais impressionou foi sempre a forma como comandou a orquestra azul e branca. Autentico maestro capaz de ditar o ritmo próprio de cada ataque, dotando-o de pausa ou velocidade consoante o espaço que abria e descobria, Lucho combinou a personalidade ofensiva que emprestava ao jogo azul, com a disponibilidade defensiva.

Senhor de uma inteligência suprema, pareceu sempre encher cada campo de Portugal com a sua tomada de decisão e posicionamento assertivo.

O tipo de jogador que fez sempre aproximar a sua equipa do sucesso pela preponderância muito elevada e similar em todos os momentos e fases do jogo. A atacar ou a defender, a construir, a criar ou finalizar, ou impedindo o adversário, Lucho deixou uma marca na Liga portuguesa que jamais se apagará.