A vantagem tática voltou a sentir-se no confronto Benfica vs Spartak.

Ao contrário da primeira eliminatória em que a errónea pressão dos russos abriu as avenidas ao jogo ofensivo do Benfica, para o jogo da Luz, a equipa de Rui Vitória veio organizado num ultra defensivo 6x2x2.

Não jogou mas também nunca impediu que o Benfica jogasse.

 

Apenas fechou os caminhos da sua baliza numa organização tão baixa que jamais lhe possibilitou qualquer tentativa de sair em contra ataque.

Extremos do Spartak em Linha Defensiva – Espaço nos corredores laterais para Verísismo e Vertonghen invadirem

 

Novamente sem encaixe nos centrais encarnados que assumiam construção – Veríssimo à direita e Vertonghen à esquerda – os dois avançados do Spartak sempre em inferioridade fartaram-se de correr para tapar progressão aos defesas encarnados, mas chegavam invariavelmente tarde e obrigavam toda a estrutura do Spartak a baixar ainda mais no relvado.

 

O Spartak impediu a criação encarnada – Mas nunca entrou sequer na eliminatória porque sem encaixar defensivamente, não foi capaz de jogar ofensivamente.

Pressão do Benfica – HxH – recuperava rapidamente a posse

 

Tal como na Rússia, foi a forma definida pelos treinadores sobre como defender na primeira fase – na saída para o ataque do adversário – que determinou que uns tivessem a bola e outros ficassem a ver o jogo.

Organização Ofensiva – João Mário nas costas do trio ofensivo

 

Se a maior presença na rectaguarda permitiu total controlo defensivo e ofensivo sobre o Spartak, a pouca presença na frente, e ainda mais as dificuldades individuais criativas e de velocidade de execução entre os três mais adiantados, tornaram o jogo do Benfica pouco capaz de criar.

O controlo não encontrou a mesma competência na velocidade de circulação e capacidade para receber e tocar de forma veloz no último terço.

Ramos não foi alimentado que não na procura dos espaços nas costas nos corredores laterais, Pizzi não demonstra condições para jogar em espaços curtos pela tremenda dificuldade de velocidade de execução e eficiência técnica que aparenta – Ficando somente em jogo ou fora do bloco – Deixando o Benfica orfão nas zonas criativas – ou surgindo apenas para finalizar, e Rafa Silva traz sempre mais qualidade em espaços abertos do que quando é preciso assumir o jogo em ataque posicional.

 

Quem é o Sheriff que vai liderar o play-off?

 

Um jogo de total superioridade mereceria mais lances com os que João Mário aproveitou para sentenciar a eliminatória.

Jogada bem desenhada, iniciada e definida pela qualidade de Rafa e João Mário que combinaram em zonas intermédias para chegar ao último terço.

Jogo Tranquilo, que ainda assim fez perceber que há problemas para resolver em ataque posicional – Falta aumentar qualidade criativa que alimenta a zona de finalização.

 

As estrelas

JOÃO MÁRIO
Foi o melhor, uma vez mais. Não perde uma bola o jogo todo, acelera, trava, dribla, pausa, toca com a parte exterior, com a interior, combina. O dono da orquestra encarnada controlou todo o ritmo do jogo, fez o Benfica jogar e ainda marcou.

 

LUCAS VERÍSSIMO-OTAMENDI-VERTONGHEN
Os centrais do Benfica não perdem um duelo, uma disputa. No ar, no chão, em situação de cruzamento, a ir buscar na profundidade ou a sair à frente da linha, a imponência do trio é garante de solidez defensiva tremenda, e ainda ligam o jogo. Da vantagem numérica 3 x 2 avançados do Spartak nasceu toda a superioridade da equipa de Jesus.

 

RAFA SILVA
Uma pena que surja somente a espaços. Sabe receber entre linhas, sai bem em condução, mas nem sempre se mostra para poder mais vezes acelerar o jogo em ataque posicional. Participativo no lance do golo que tanta influencia demonstrou.